A evolução do transporte rodoviário no Brasil e no mundo.
Desde os primórdios da humanidade
os seres humanos foram obrigados a transportar, muitas vezes em suas próprias
costas, alimentos, roupas etc, com o passar dos tempos e com a tecnologia proveniente
da inteligência humana, os meios de transportes foram se moldando as realidades
de cada época, passando desde a tração animal, até os dias de hoje onde quase
se pode afirmar que existe o transporte virtual.
Desta feita, surgiu, a partir de
meados do século XIX, o conceito de sistema de transportes cujos marcos
mundiais são: invenção da máquina a vapor (1807); início do transporte
ferroviário (1830); início do transporte dutoviário (1865); início da
utilização comercial do automóvel (1917); e início da aviação comercial (1926).
O objetivo específico deste
trabalho consiste em apresentar a evolução do sistema de
transporte rodoviário no Brasil e
no Mundo.
O INÍCIO DA
HISTÓRIA DO TRANSPORTE RODOVIÁRIO NO BRASIL E
NO MUNDO.
Na Idade Média européia, o homem
preferiu o cavalo a outros veículos, mais utilizados
pelas damas da
nobreza. Difundiu-se o uso da basterna, aristocrática liteira medieval puxada
por mulas ou cavalos. Em meados do século XV, surgiu na Hungria um novo tipo de
veículo, o coche. Mais leve, com as rodas traseiras mais alt as que as
dianteiras e suspensão de carroceria por meio de correntes e correias, o novo
modelo representou maior conforto para os passageiros.
O êxito da suspensão contribuiu
para a difusão da carruagem. Convertida em elemento de prestígio e ostentação,
ela se tornou o meio de transporte urbano por excelência da alta sociedade no
século XVII. Foi na Itália que a carruagem alcançou a máxima difusão. Chegou-se
a contar em Milão, no fim do século XVII, mais de 1.500 veículos desse tipo.
Diante da ocorrência de acidentes e atropelamentos, a autoridade se viu
obrigada a limitar a velocidade das carruagens e a proibir que menores de 18
anos as conduzissem. O transporte coletivo urbano, praticamente inexistente
durante todo esse longo período, surgiu entre os séculos XVIII e XIX, com a
utilização de ônibus ou bondes que circulavam sobre trilhos de ferro puxados
por cavalos.
No Brasil, a chegada da Família
Real ao Rio de Janeiro, em 1808, marca o início da história do transporte. Com
Dom João VI chegam as três primeiras carruagens: a do Príncipe Regente, a de Dona
Carlota Joaquina e a da rainha Dona Maria Primeira. A presença da Família Real
provoca grande transformação na cidade do Rio de Janeiro. Com ela chegam 15 mil
pessoas, o que exige uma profunda transformação na cidade que, na época, tinha
57 mil habitantes. Para se ter uma idéia, no período de 30 dias, de janeiro
para fevereiro de 1808, a cidade passa de 57 mil para 72 mil habitantes. E a
nobreza que serve a Família Real precisa se acomodar no centro da cidade.
São, então, confiscadas as
melhores casas do centro, empurrando para a periferia os que viviam nessa parte
nobre da cidade.
O marco da implementação do sistema rodoviário
ocorreu quando Carl Friedrich Benz, em 1885, e Gottlieb Daimler, em 1886,
concluíram na Alemanha os primeiros modelos de automóveis com motor de
combustão interna a gasolina. Em pouco tempo as vendas desses veículos alcançaram
cifras impressionantes. Utilizado como símbolo de prestígio social, tal como no
século XVII havia ocorrido com a carruagem, o automóvel se fez presente com
rapidez não só nas estradas como, principalmente, nas grandes cidades. Na
Europa, as possibilidades comerciais do transporte rodoviário ficaram evidentes
durante a primeira guerra mundial. A produção em larga escala de veículos
militares ocorria na mesma época de seu aproveitamento no transporte de soldados
e apetrechos para as diversas frentes de guerra.
A MODERNIZAÇÃO
DO SISTEMA DE TRANSPORTE RODOVIÁRIO.
Efetivamente, a partir da
Primeira Guerra Mundial, tanto a produção quanto à diversificação dos tipos de
veículos (carros de passeio, caminhões, ônibus, tratores, etc), delinearam, nos
grandes centros da Europa e dos Estados Unidos, a necessidade de modernização
do sistema rodoviário urbano e da malha viária, para fins de escoamento das
produções, bem como ser utilizada como fator de integração. No Brasil, a partir de 1920, por
intermédio dos Estados Unidos, maior produtor mundial de veículos automotores,
começaram a oferecer financiamentos para a abertura de estradas, iniciando o
modelo "rodoviarista", consolidado com a criação do DNER
(Departamento Nacional de Estradas de Rodagem) em 1937.
Anhangabau 1920.
Na década de 40 em diante, o Brasil literalmente
“saiu dos trilhos” e o sistema ferroviário nacional iniciava um longo período
de decadência. O "boom" rodoviário que então iniciava no país estava
diretamente vinculado às mudanças na divisão internacional do trabalho. Assim,
a Era Rodoviária brasileira começava no momento em que a economia nacional
mudava seu centro dinâmico para o setor de mercado interno e transitava da
dependência do capital britânico para a área de influência e domínio do capital
norte-americano. O abandono do transporte ferroviário e os investimentos
públicos na construção de estradas de rodagem eram justificados pelos
governantes como forma mais rápida e de menor custo para a integração física do
território brasileiro. Na verdade, o transporte rodoviário atendia interesses
do grande capital internacional. Depois da crise de 1929, a industria
automobilística norte-americana e européia emergiu como carro chefe da economia
capitalista mundial. No Brasil, as empresas estrangeiras importadoras e
montadoras de veículos acreditavam na potencialidade do mercado nacional e, no
final dos anos 50, começavam a implantar no país a indústria automobilística.Assim,
a evolução dos transportes no Brasil esteve estreitamente vinculada à divisão
internacional de trabalho e ao modelo de modernização dependente do país. Seguindo
a tendência dessa política de transportes, o sistema viário implantado no
Brasil foi o de maior custo por quilômetro transportado.
Praça da 15 de novembro Nova Friburgo RJ.
Plano Rodoviário Nacional
elaborado em 1938 pelo presidente Vargas, projetava a implantação de uma rede
de transportes que integraria o território brasileiro por meio de estradas de
rodagem. Para o Centro-Oeste, o tronco rodoviário federal mais importante seria
a construção da rodovia Transbrasiliana, considerada a "coluna dorsal"
do país e que cortaria o Estado de Goiás de Norte a Sul. Planejada para ser o
“eixo rodoviário” do Brasil, a Transbrasiliana foi um projeto viário ambicioso
da era Vargas que se arrastaria por décadas sem ser executado na íntegra. Nos
planos do governo, as despesas com as obras de implantação da rodovia ficariam
a cargo do Tesouro
Nacional e do erário dos estados
por ela servidos. Os mais de mil quilômetros da estrada que seriam construídos
em Goiás, por exemplo, ficariam sob a responsabilidade financeira e técnica do governo
estadual. Dessa forma, por falta de recursos financeiros o projeto não foi
executado no tempo previsto.
O governo de Juscelino
Kubitschek, a partir de 1956, deu mais ênfase ao rodoviarismo.
Houve uma grande evolução das
estradas, não só no aumento de extensão, mas principalmente no papel que o
sistema rodoviário passou a exercer na economia e no espaço geográfico
brasileiros: o de integrador nacional. Isto foi possível graças ao Plano de
Metas, que previa um Plano Qüinqüenal de Obras Viárias. A partir daí, foram
realizadas:
O crescimento evidenciado na
malha viária, bem como no setor de produção automotivo no Mundo e no Brasil,
sofreu uma grande estagnação no final da década de 70, face à crise do petróleo
e o crescimento desordenado urbano que se alastrou. Consequentemente os países
mais desenvolvidos buscaram desenvolver uma política visando otimizar o
transporte urbano nas grandes cidades, bem como buscar soluções alternativas
para a crise de abastecimento de suas frotas rodoviárias.
No Brasil, tal crise
foi evidenciada nas décadas de 80 e 90, onde restringiu-se as obras de vulto no
setor rodoviário, bem como verificou-se uma deterioração do sistema rodoviário.
Anhangabau decada de 70.
Dos 50.000 km de rodovias
pavimentadas, 16.000 km encontram-se em estado ruim ou
péssimo e 9.500 km em
estado regular de conservação. Anualmente, 3.500 km de trechos rodoviários
paviment ados passam do estado regular para o mau estado de conservação. Desta feita,
percebe-se que da malha viária existente no País, 35% dela está em mau estado,
34% regular e 31% em boa situação. No caso da sinalização, 47% das rodovias
federais pavimentadas não possuem qualquer tipo de placa ou pintura
sinalizadora. Há mais de dez anos são realizados programas sistemáticos para a
manutenção e recuperação da malha rodoviária.
A evolução do transporte
rodoviário no Brasil e no Mundo ficou evidenciado em três ciclos bem definidos
de nossa história, quais sejam:
- a utilização de animais e
carroças na Idade Media;
- o desenvolvimento da industria
automobilística no início do século XX; e
- a crise do petróleo na década
de 70.
Estes fatores consubstanciaram as
fases de implantação, desenvolvimento e estagnação dotransporte rodoviário no
Mundo e no Brasil.
Os Países mais desenvolvidos, por
não terem adotados o modelo “rodoviarista” brasileiro puderam harmonizar a
contento este modal, não estando tão dependente do mesmo. Entretanto ressalta-se
a preocupação em viabilizar, nas grandes cidades, um transporte urbano de massa
mais eficiente, buscando desta forma, otimizar o transporte rodoviário. No
Brasil, atualmente, o transporte rodoviário de cargas aumentou
substancialmente, face o grande número de empresas transportadoras. Entretanto,
em virtude da falta de manutenção do sistema viário os custos de distribuição
encarecem o sistema logístico nacional, bem como concorrem para a sonegação
fiscal e, consequentemente, para a escassez de investimentos neste modal.
Na mesma direção, o transporte
urbano na maioria das grandes cidades brasileiras também tem sofrido queda de
passageiros e de produtividade, com o agravante de se ressentir de políticas que
priorizem o transporte coletivo.
Já no setor de transporte de
cargas, que sofre um efeito bastante multiplicador do ritmo da atividade
econômica, houve uma boa performance a partir de 2.000. O advento do comércio eletrônico
e o surgimento dos operadores logísticos trouxeram mudanças para o setor, haja
vista que as empresas necessitaram adotar conceitos e padrões de agilidade,
eficiência e qualidade no sentido de atuarem nesse mercado mais competitivo.
Fonte: Mello, José Carlos. Apostila da Escola de Comando e Estado-Maior do Exército








show de bola.
ResponderExcluirMas eu acho q vc poderia falar mais um pouco da historia de JK, abrangendo sobre oq foi falado seu o seu governo naquela época. E tambem falar um pouco sobre o fordismo que afetou muito o sistema rodoviario brasileiro.
Mas de resto ficou otimo